Raid Picos da Europa (8 a 14 de Junho)

O objetivo era ambicioso: levar um grupo de 21 motos (número máximo de inscrições admitido) e 1 SUV a percorrer as espetaculares paisagens do Parque Nacional dos Picos da Europa.

 cartoon

 

Os Picos de Europa são uma formação montanhosa na Cordilheira Cantábrica (norte da Espanha), que se estende pelas Astúrias, Cantábria e Castela e Leão.

Dividem-se em três grandes maciços: o Ocidental ou Cornión, o Central ou dos Urrieles, e o Oriental ou de Ándara.

O maciço ocidental foi declarado Parque Nacional em 22 de julho de 1918 por Afonso XII com o nome de Parque Nacional de la Montaña de Covadonga, sendo o primeiro espaço protegido do país.

Inicialmente compreendia 16.925 hectares até que, em 30 de maio de 1995, a sua área foi aumentada para os atuais 64.660 hectares que constituem o Parque Nacional dos Picos da Europa.

 

Dia 1 (8 de junho): Deslocação até Bragança

Domingo, foi o dia de deslocação dos locais de origem dos participantes até Bragança, cidade escolhida para início do “Raid NC Portugal aos Picos da Europa”.

Apesar da instabilidade meteorológica, que não permitia quaisquer certezas até mesmo à véspera do evento, a verdade é que o S. Pedro deu uma ajuda e acabaria por nos proporcionar 7 dias “à medida”. Melhor não podíamos pedir.

O grupo maior saiu da capital e rolou descontraidamente pela A1 até Coimbra e depois, sempre por nacionais, até ao Hotel São Lázaro, que se revelou uma excelente escolha de alojamento.

1

2

 

Dia 2 (9 de junho): Bragança – Cangas de Onís

10h00, início da aventura. As motos começam a percorrer a estrada em direção a Puebla de Sanábria e depois em direção ao Lago de Sanábria, o maior lago de origem glaciar de Espanha.

3

A primeira paragem foi em Ribadelago (Vieja), vila tristemente famosa pela catástrofe de 9 de janeiro de 1959 quando o local foi arrasado por milhões de metros cúbicos de água da barragem de Vega de Tera, que cedeu.

4

5

6

Fotos da praxe e deslocação para Puentes onde fizemos um almoço rápido.

7

De novo na estrada, agora em direção a León onde tínhamos a Plaza de San Isidoro reservada para nós. A guardia civil já nos aguardava quando as NC’s chegaram à praça, provocando a natural admiração dos muitos transeuntes.

8

9

10

Uma pausa de hora para descansar, refrescar e dar uma volta pelo centro histórico.

11

A saída foi feita sob escolta policial, agora em direção a Riaño, a “porta” de entrada do Parque Nacional dos Picos da Europa.

A paisagem ia ganhando mais verde e ao fundo, surgia imponente o conjunto montanhoso.

12

13

Breve paragem antes da ponte que atravessa para Riaño.

14

Caravana na estrada, em direção a Cangas de Onís, através de paisagens espetaculares, com o desfiladeiro de Los Beyos a deixar todos deslumbrados, quer pelo seu traçado quer sobretudo pela sua imponência e beleza natural.

15

16

Chegada a Cangas ao início da noite. O check-in da ordem e depois um merecido jantar em grupo na vila.

17

Em Canga de Onís apenas de registar a antiga ponte sob o rio Sella, que separa os concelhos de Cangas de Onís e de Parres, e que ostenta uma réplica da Cruz da Vitória, a original está na Catedral de Oviedo. Esta ponte, chamada de ponte romana, é no entanto medieval. O “romana” advém certamente do facto de que terá sido construída sobre uma antiga ponte romana.

Dica: o Hotel Puente Romano é uma excelente opção para futuras deslocações.

 

Dia 3 (10 de junho): Cangas de Onís – Cangas de Onís

10h00, começamos a rolar em direção aos lagos Enol e Ercina, acima de Covadonga.

18

19

20

21

22

O Lago Enol é o maior e está localizado a cerca de 10km de Covadonga, a 1070m de altitude. Tem uma profundidade de 25m, um comprimento de 750m e uma largura de 400m. Neste lago está submersa uma imagem da Virgem de Covadonga que, todos os anos a 8 de setembro, é elevada para ser usada em procissão.

23

O Lago Ercina (em baixo) está um pouco mais acima, a 1108m de altitude, a sua profundidade é de cerca de 3m.

24

Os acessos, como aliás em todos os Picos, são em bom piso mas por estradas estreitas, em muitos casos tão estreitas que dificilmente se cruzam dois automóveis.

Em relação à beleza do local, as fotografias ilustram um pouco da mesma.

25

26

27

28

Antes do almoço, descida em direção ao Santuário de Covadonga, igreja dedicada à Nossa Senhora de Covadonga, padroeira das Astúrias, que visitámos durante cerca de uma hora. Foi neste local que os cristãos da Hispânia venceram uma batalha contra os Mouros, cerca de 718 e 725.

29

30

Sob a proteção de Nossa Senhora de Covadonga iniciou-se a reconquista da Espanha, com o milagre que Ela realizou socorrendo o Rei Don Pelayo e os pouquíssimos cavaleiros que estavam com ele nas montanhas das Astúrias, no monte Auseba. Deu-lhes uma grandiosa vitória sobre os maometanos, justamente quando pareciam perdidos, premiando assim o seu heroísmo e a sua fé.

Com esta vitória, Don Pelayo foi proclamado Rei das Astúrias, o primeiro rei das Astúrias, recebendo a coroa das mãos do Bispo de Oviedo, dando início à monarquia espanhola.

31

Depois de uma vida guerreira e de organização dos seus povos, foi enterrado na Santa Cueva de Covadonga.

No local existe uma placa que diz: “Sob o nome da Mãe de Deus, dentre as rochas e no alto dos montes, surgiu a Espanha“.

32

O almoço foi no restaurante Orandi que tínhamos visto no início da estrada de acesso a Covadonga.

De barriga cheia, rolámos em direção a Arriondas para depois fazermos a AS-260, uma estrada que faz lembrar em alguns troços a nossa Serra do Caldeirão.

Passámos o Mirador del Fito, onde não pudemos parar já que o seu parque estava particularmente cheio e não seria fácil estacionar todo o grupo.

Continuámos a rolar, agora descendo em direção a Villaviciosa onde iriamos visitar as famosas Bodegas El Gaitero.

33

34

Depois da visita guiada e das compras da praxe, seguimos em direção a Gijón, a cidade mais povoada das Asturias e é um dos principais portos marítimos de Espanha, onde estacionámos junto do Elogio del Horizonte. Trata-se de uma escultura em cimento do escultor Eduardo_Chillida.

35

Esta obra tem a particularidade de que no seu interior, ouve-se o mar como se estivéssemos a ouvir do interior de um búzio.

As muralhas que se encontram junto ao monumento são romanas e cercavam a cidade. Do local é possível ver de um lado a Praia de São Lourenço e do outro, o porto de pesca.

De novo, motos na estrada, de volta a Cangas de Onís.

 

Dia 4 (11 de junho): Cangas de Onís – Potes

O serviço de despertar (leia-se “as vacas no campo”) funcionou em pleno e antes das 10h00 já o grupo estava na estrada a caminho de Arenas de Cabrales. Hoje era dia de incursão no coração do Parque Nacional. A estrada para Poncebos e depois para Sotres é uma delícia para as motos.

36

37

38

39

40

41

42

43

44

Como levávamos um SUV no grupo e a estrada a partir até Treviso não estaria nas melhores condições, decidimos não arriscar e voltar a Arenas de Cabrales, não sem antes pararmos no Mirador de Camarmeña, com uma vista espetacular para Bulnes.

45

Bulnes é um pequeno povoado, acessível apenas por um pequeno trilho até 2001. Atualmente está ligado a Poncebos através de um comboio de cremalheira que sobe pelo interior da montanha.

Do Mirador de Camarmeña podemos observar o imponente Naranjo de Bulnes, mítico cume dos Picos, alcançável apenas mediante a escalada da sua parece Oeste, vertical e com um desnível de 500 metros.

Paragem para almoço em Arenas de Cabrales.

Dica: Para quem seja apreciador, não perder o famoso queso azul de Cabrales, feito a partir de leite de vaca, cabra ou ovelha. O processo de cura deste queijo é efetuado em grutas naturais, com uma humidade relativa de 90% e uma temperatura entre os 8°C e os 12°C. Nestas condições, desenvolvem-se no queijo pequenos fungos do tipo penicillium, que dão ao queijo a sua cor tão caraterística.

Entretanto, o grupo tinha decidido avançar para Potes e deixar a costa (San Vicente de la Barquera, Comillas, Santillana del Mar, etc.) para outra ocasião, de forma a chegarmos a Potes ainda com tempo para uma merecida visita.

O caminho para Potes atravessa o desfiladeiro de la Hermida, mais uma estrada que dá vontade de fazer várias vezes, pelas curvas e pela paisagem envolvente.

46

O desfiladeiro de la Hermida, é um desfiladeiro estreito, com 21km de comprimento, formado pelo rio Deva e com grandes paredes de calcário, algumas com mais de 600m de altura.

47

48

Chegada a Potes e alojamento no Hotel Valdecoro, cujo parque de estacionamento já estava bem composto com motos de companheiros estrangeiros.

49

Ao final da tarde, foi tempo de passear pelas ruas de Potes, capital da comarca de Liebana, atravessada pelo rio Deva.

50

51

 

Dia 5 (12 de junho): Potes – Boca de Huergano

Mais um dia que amanhecia com excelentes condições meteorológicas para rolar.

Da parte da manhã, o objetivo era ir até ao teleférico de Fuente Dé, com uma paragem prévia no mosteiro de Santo Toribio de Liébana, Trata-se de um mosteiro franciscano, fundado no século VI e localizado 410m acima do nível do mar. A sua construção iniciou-se em 1256 em estilo pré-românico e românico, tendo sofrido diversas remodelações seguindo as diretrizes de estilo gótico. Atualmente a sua igreja (que visitámos) é o edifício mais importante. O mosteiro abriga obras do Beato Liébana e é onde dizem que está a maior peça conhecida da cruz onde Jesus morreu: o braço direito da cruz de Cristo (o Lignum Crucis).

52

53

54

Como chegámos por volta das 10h00, tivemos direito a uma apresentação histórica pormenorizada, feita pelo pároco local, a que se seguiu a bênção e veneração do Lignum Crucis.

Dica: É possível assistir a esta cerimónia em cada hora certa (ver horários no site do Mosteiro).

 

Depois do cafézinho da praxe, a viagem continuou em direção a Fuente Dé.

55

56

57

Rodeado por montanhas altas, com altitudes superiores aos 2.600 metros, o teleférico sobe a uma altura de 753 metros, colocando o viajante nos 1.823 metros de altitude em apenas 4 minutos, a uma velocidade de 10 m/seg. A partir da estação superior pudemos disfrutar de uma paisagem de enorme beleza que não há imagens que conseguem reproduzir minimamente.

58

59

60

Com o calor a apertar, era tempo de continuar viagem, agora em direção a Boca de Huérgano, a nossa próxima paragem.

61

Mais do mesmo: estradas e paisagens de tirar o fôlego.

Chegámos ao Hotel Tierra de la Reina, onde nos esperava já o almoço, previamente reservado.

62

Depois de reconfortados os estômagos, aproveitámos este intervalo para agradecer uma vez mais a todos os participantes e para distribuir um pequeno troféu alusivo ao evento.

Da parte da tarde, o programa levou-nos até Caín (via Portilla de la Reina e Posada de Valdeón), para percorrermos os primeiros 3 kms da famosa Ruta del Cares.

63

64

65

66

67

68

69

A Ruta del Cares, conhecida como “Garganta Divina” por ser talhada entre as rochas das montanhas, acompanha o rio Cares num trajeto espetacular com pouco mais de 11 kms, que liga Caín (León) e Poncebos (Asturias). Indiscutivelmente, uma das rotas de caminhada mais espetaculares que se podem fazer em toda a Europa.

O regresso a Boca de Huérgano foi feito por Caldevilla e Riaño. Montanhas, verde, vacas e água, foram uma constante durante todo o percurso.

70

71

72

73

74

75

 

Dia 6 (13 de junho): Boca de Huérgano – Salamanca

Com muita pena nossa, tinha chegado o dia de deixar o Parque Nacional dos Picos da Europa e iniciar o regresso a casa.

O dia prometia ser quente. Calmamente percorremos a estrada em direção a Zamora, onde iríamos almoçar.

No percurso, pudemos rolar alguns kms na milenária e enigmática Via de la Plata, que nos leva pela diversidade da paisagem e das gentes.

A cidade de Zamora tem a maior acumulação de edifícios e restos românicos de Europa. Com efeito, podemos encontrar na cidade 24 igrejas românicas (do séc. XI ao séc. XIII), 1 catedral românica (séc. XII), 2 palácios românicos (com vestígios pré-românicos), 1 ponte do estilo românico (séc. XII) com 250 m de comprimento, casas de época românica, etc.

Foi em Zamora que decorreu o Tratado de Zamora, que reuniu, em 5 de outubro de 1143, Afonso Henriques e Afonso VII de Leão e Castela para discutirem a independência de Portugal e estabelecer a paz entre os reinos de Portugal e Leão.

76

Chegados à Plaza del Ayuntamiento, diante da Igreja de San Juan e junto à Policia Municipal, lá estava o espaço reservado para a comitiva do Clube NC Portugal.

Os termómetros atingiam os 40 graus. Não era preciso tanto…

Por volta das 16h00, voltámos à estrada, para percorrer os cerca de 70 kms que nos separavam de Salamanca, onde iríamos dormir.

A curta viagem decorreu sob um sol escaldante e um calor que não dava tréguas.

Em Salamanca, ficámos alojados no Hostal Escala Luna, uma unidade hoteleira recentemente renovada, localizada em pleno coração do centro histórico.

E centro histórico significa ruas pedonais. E ruas pedonais significam trânsito interdito a todo o tipo de veículos.

Tínhamos previsto parar as motos num passeio a cerca de 100 metros do Hostal, descarregar as malas e seguir com as motos até uma garagem próximo, onde tínhamos efetuado uma reserva de estacionamento para todo o grupo.

O problema foi que os GPS insistiam em levarmos por ruas de trânsito interdito o que tornou a tarefa de encontrar o dito passeio numa aventura inesperada.

Cerca de 45 minutos depois, lá conseguimos dar com um percurso alternativo que nos levou ao local pretendido. Finalmente, podíamos fazer o check-in, estacionar as motos e gozar a cidade.

Salamanca é uma cidade espetacular, das cidades espanholas mais ricas em monumentos da Idade Média, do Renascimento e das épocas Clássica e Barroco.

O ambiente que se vive é único e tem de ser presenciado para se perceber que é de facto uma idade diferente. Ainda para mais estávamos em dia de um Espanha-Holanda, para o Campeonato do Mundo de Football.

 77

Estava um final de dia verdadeiramente incrível. Apesar da pesada derrota da Espanha, os espanhóis continuaram a festa noite dentro.

78

79

Já muito depois da meia-noite, ainda percorríamos as ruas do centro histórico, à procura do célebre astronauta, existente numa das portas da Catedral Nova de Salamanca, construída entre o século XVI e o século XVIII.

80

 

Dia 7 (14 de junho): Salamanca – Regresso a casa

Procurámos sair cedo já que o dia ameaçava vir a ser ainda mais quente que o anterior.

Relativamente à viagem, nada de especial a assinalar. A travessia sempre um pouco monótona e “árida” até à fronteira: Salamanca, Cáceres, Badajoz.

Em Elvas, onde chegámos por volta das 13h00, fizemos o último almoço em grupo.

O calor era mais que muito. Parte do grupo decidiu aguardar que o calor ficasse mais tolerável para se fazer à estrada.

Umas bifanas em Vendas Novas encerraram com chave de ouro esta aventura por terras espanholas.

Para trás ficaram mais de 2.300kms, por estradas e paisagens que nos marcarão a todos.

81

mapa-picos